Arquivo da categoria ‘Reflexões’

A partir de Segunda-Feira, 19/09, passarei a escrever para o site Gospel+, maior portal sobre o universo gospel do mundo, com mais de 170.000 pageviews diários.

A proposta chegou em um momento importante, e lá, não expressarei opinião pessoal, mas seguirei uma pauta pré-estabelecida pela empresa. Para os que não sabem, sou redator publicitário, e lá, serei um quase jornalista. Quase por não ser formado em jornalismo, e porque essa não será minha fonte principal de sustento. Continuo publicitário!

Assumo esse desafio com olhar profissional, montando textos com o único propósito de informar. Minhas opiniões continuarão sendo expressas através desse blog, e eventualmente, em algum artigo a ser divulgado em veículos que façam um convite.

O estilo de escrita é outro ponto a ser observado: tenho o meu estilo pessoal, mas no Gospel+ seguirei a linha editorial do portal, assim como todos os profissionais nas grandes empresas de comunicação. O público evangélico brasileiro é formado essencialmente por pessoas das classes C e D, e isso influi diretamente na construção e argumentação dos textos.

Meu muito obrigado a cada um que acompanha meu blog. Suas observações, críticas e elogios foram muito importantes para que eu me aperfeçoasse como homem, cristão e escritor. Esse blog não acaba aqui, pelo contrário, se torna ainda mais importante, quase um refúgio. Um grande abraço a todos!

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Não há empresa mais difícil de conduzir, mais incerta quanto ao êxito e mais perigosa, do que a de introduzir novas instituições. Aquele que nisso se empenha tem por inimigos todos quantos lucravam com as instituições antigas e só encontra tíbios defensores naqueles aos quais as novas aproveitariam” –Machiavel

Dia desses, em uma troca de idéias com um amigo, discutíamos a validade ou não de exercer críticas à igreja evangélica brasileira, pela sua ineficiência em cumprir o “Ide” e sua especialização em manter entre as quatro paredes um rebanho desnutrido espiritualmente.

Ouvia atentamente seus argumentos de que ao criticar líderes que hoje estão “famosos” por polêmicas, há uma injustiça, afinal já levaram o evangelho a milhares de pessoas, e por serem também pessoas, são imperfeitos. Há o caso mais emblemático do casal Hernandes, líder da Igreja Renascer, citado por ele como exemplo de injustiça. Lembrei de quando conheci a Renascer, nos anos 90, época em que se preocupavam em pregar que “Jesus salva, cura e liberta”, e também em transmitir a idéia de que “ser crente não é ser quadrado”. Bons tempos. Quando a igreja passou a viver o Antigo Testamento, criar hierarquias e nomenclaturas, ano disso e daquilo, benção apostólica e afins, começou uma decadência sem fim. Processos e mais processos na Justiça por suspeita de desvio e lavagem de dinheiro, ações de despejo por não pagamento de aluguel, líderes saindo para estruturar suas próprias igrejas (Bola de Neve Church é um caso), Sônia e Estevam na cadeia por tentar fraudar o sistema tributário norte-americano, entre outros. Até os então denominados “Bispos-Primazes” da Banda Resgate viram que o navio afundaria e abandonaram o barco.

Mas não é pra falar da Renascer que me pus a escrever. Vivemos num país em que até pouco tempo atrás o número de pessoas analfabetas era altíssimo. Dados de 2003 do IBGE apontavam que 16 milhões de pessoas no Brasil eram incapazes de escrever um simples bilhete, e levando em conta os analfabetos funcionais, o número sobe para 33 milhões de pessoas. Dados de 2010 sobre o ensino superior apontam que existem 5,3 milhões de alunos matriculados em universidades. Tradução: temos uma população altamente incapaz intelectualmente, e fácil de manipular. Não à toa, nossos políticos fazem isso de forma muito eficiente.

Não é segredo a ninguém que o grosso dos evangélicos no Brasil é formado pelas classes C, D e E. Há sim integrantes das classes A e B, mas são absoluta minoria. A pulverização de denominações e as subdivisões dos evangélicos entre tradicionais, pentecostais, neo-pentecostais e apostólicos facilitou um fenômeno lamentável. O evangelho deixou de ser uma filosofia simples baseada no conceito da Graça e passou a ser uma teoria variável, com diversas interpretações possíveis. Levando em consideração que o movimento protestante já era uma maneira diferente de olhar para o evangelho, o resultado não poderia ser menos confuso.

Hoje, há igrejas e segmentações para todos os gostos e/ou necessidades.

A Igreja Universal (pioneira na Teologia da Prosperidade) teve vídeos sigilosos de treinamentos para pastores divulgados no site do jornal Folha de S. Paulo tempos atrás. Nesses vídeos, os “pastores” eram instruídos sobre técnicas de arrecadação de ofertas especiais, sobre como enfatizar que a contribuição era necessária para alcançar determinada benção, etc.

Igrejas (inúmeras, não vale citar nenhuma, para não ser injusto) que se especializaram no segmento “adoração” e que arrastam centenas, milhares e por que não, milhões em alguns eventos, focam na “adoração extravagante”, estimulando seus fieis a extravasarem suas emoções, criando assim, dependentes emocionais que nem se dão conta disso. Já dizia Karl Marx, nos idos do século XIX, que “a religião é o ópio do povo”. Nem líderes, nem seguidores se dão conta de que desempenham muito bem o papel descrito por Marx.

Quando uma instituição religiosa, autodenominada cristã, se põe a pregar uma variação do evangelho descrito na Bíblia, se põe a fazer um desserviço a quem a procure. Em nome de Deus, os tão criticados católicos já fizeram inúmeras barbáries no decorrer da história. O que a maioria das pessoas não se dá conta é que embora diferentes, os danos causados pelas igrejas “evangélicas” é tão extenso quanto. Me refiro à quantidade de pessoas que tomaram contato com um evangelho distorcido ao longo dos anos e que, cada um à sua maneira, sofreram danos colaterais.

Paul Tournier, que era médico, em seu livro Culpa e Graça, faz uma citação intrigante a respeito do dilema da Graça: “É significativo o que um dos meus pacientes protestantes tenha dito: O protestantismo me parece com um enorme esforço para se ganhar a graça pela boa conduta, enquanto que o catolicismo distribui esta mesma graça a todo aquele que a procura com um padre’”. O curioso dessa bela obra de Tournier é que quando foi publicada no Brasil, teve trechos censurados, inclusive esse que citei acima. Nem me arrisco a perguntar o motivo…

 Não estou fazendo e nem quero fazer defesa do catolicismo, não tenho credenciais para isso. A questão que proponho reflexão é exatamente a sonegação da graça, voluntária ou não, por parte dos líderes evangélicos em geral. Condicionam diversas coisas, dentre elas a comunhão, à presença constante aos cultos, contribuições financeiras, adequação a hábitos impostos sem embasamento bíblico, etc.

A citação que fiz de Machiavel na introdução desta reflexão serve para ilustrar o tamanho da dificuldade em alcançar alguma mudança nesse cenário. Escolhi Machiavel por ser um pensador que teve boa parte de sua filosofia distorcida e pintada como perversa, e por sinal, a pintura perversa serve exatamente como figura icônica a essa igreja doente: praticam um evangelho em que “os fins – pessoais – justificam os meios”.

Em nosso contexto social, a igreja deveria cumprir uma função mais refinada do papel desempenhado pela Igreja Primitiva: assistir os necessitados, e ser fonte de inspiração e conhecimento para os incultos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará” – João 8:32

O que pensar de líderes que segmentam suas igrejas afim de atingir certa parcela da população, e abandonam a simplicidade do evangelho? Como se calar perante o abuso intelectual a que submetem seus fieis, ou ainda a exploração que aliena e certas vezes destrói famílias, afetiva ou finaceiramente, quando não de ambas as formas? O que pensar de igrejas que como instituições permitem o “canibalismo” entre seus membros, fazendo surgir a cada esquina novas “portas”, sem estrutura, que terão à frente pessoas incapazes de gerir uma comunidade, ou de lidar com temas e questões delicadas? Por quê não criticar essa irresponsabilidade, que arrebanha milhares e perde outros tantos, de tempos em tempos, transformando o evangelho numa religião de ocasião?

Não. Não me calarei, não me intimidarei e não darei por encerrada minha tarefa de expor essas mazelas, desmascarar as conveniências de alguns, inconvenientes ao bem geral. Não sou o único, e sei que hoje já não são poucos os insurgentes contra essas instituições falidas que pregam uma distorção pobre dos belos ensinamentos de Cristo. E por quê faço isso? Por amor a Deus, ao próximo e por uma necessidade quase que fisiológica de cumprir Marcos 16:15, ordem expressa: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura”.

A tarefa é árdua, mas mudaremos esse quadro.

Esse texto foi extraído do dotGospel blog, e traduz a preocupação que temos com a mutação teológica que acontece no meio cristão-protestante brasileiro. A distorção da mensagem que Jesus trouxe sobre prosperidade é alarmante. A postura da autora é interessantíssima, firme e direta, porém postá-lo aqui não significa exatamente que concorde cegamente com o texto. Enfim, vou deixar que o texto fale por si só… Boa leitura!

Por Laila Flower
Recentemente eu vi um vídeo do Pr. John Piper que falava sobre a prosperidade, ou melhor, falava CONTRA prosperidade. Ele destacou algo muito importante que eu quero frisar é a necessidade de SOFRERMOS. Leia de novo: SOFRERMOS.

É muito comum vermos por aí igrejas com um papinho furado de que “os filhos do Rei merecem o melhor”. Vi pregações de um pastor famoso chamando de hipócritas aqueles que dizem não ligar para dinheiro, prosperidade e, uma vez que se preocupa, tem de buscar de Deus.

Minha resposta para estas igrejas, pastores, pastoras ou quem quer mais buscar a prosperidade é simples: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”. Para falar a verdade, a resposta não é minha, é de Jesus. Ele disse também, um pouco antes (Mt 16.24-26) que é necessário que as pessoas neguem-se a si mesmo e peguem sua própria cruz.

Se eu não estou enganada, não é muito fácil negar a si mesmo e ao mesmo tempo buscar a sua prosperidade. Um exemplo concreto é o do jovem rico, em Mateus 19.16 e versículos seguintes. Jesus não olhou o jovem rico e louvou a sua fé (afinal, ele era RICO!), ao contrário, mandou ele vender tudo – o dinheiro, a prosperidade, era exatamente aquilo que o afastava de Deus. E isso é visível, uma vez que ele preferiu não seguir a vender tudo.

E não podemos esquecer que o convite de Jesus não é “vou te seguir e te fazer prosperar”, é “DEIXE TUDO E SIGA-ME”! Em Mateus 4, a partir do versículo 18, vemos Jesus chamando os primeiros discípulos para segui-lo.

Nesse ponto o leitor já deve estar imaginando que eu sou daquele tipo que encara dinheiro do diabo, que quem tem mais do que o suficiente por dia é mundano….hm….não. Eu também trabalho, ganho dinheiro, batalho para ganhar um pouco mais e poder adquirir coisas novas. Mas esse não é meu foco. E também por isso não é o foco do meu relacionamento pessoal com Deus.

Dinheiro faz parte da vida das pessoas, mas não pode ser a vida das pessoas.  Ganhar pouco e ficar contente parece loucura para muitos. Talvez seja, mas certamente não é uma maneira de ficar obcecado pelo dinheiro a ponto de ver a vida passar pela janela e ficar trancado trabalhando para acumular.

E acho que o tal de acumular é que nos faz entender qual é o meio termo da coisa. Aliás, creio que o meio termo é o objetivo em tudo da vida cristã, exceto no amor à Deus (e suas consequências!). Por que se estamos tentando alcançar o máximo, nossa dedicação será maior e ofuscará a atenção para Deus – esse sim o objetivo máximo da nossa vida.

Poderemos buscar coisas que certamente não são pecaminosas (como dinheiro para pagar as contas no fim do mês, por exemplo), mas se a encararmos de forma a tornar um objetivo (dinheiro para ser rico – e o termo “rico” sendo variado não nos dá limite), isso se tornará um pecado porque estará tirando a posição de Deus nas nossas vidas.

Mateus 6.33 dá a receita da vida: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas”. Quando Jesus disse “essas”, ele quis apontar roupas e alimento, tema dos versículos anteriores – inclusive que ele diz que se atormentar por causa de comida e bebida é coisa que faziam os pagãos. E pensar que este mesmo versículo é desvirtuado para embasar teologia da prosperidade…

Mas, afinal de contas, como devemos viver?

Devemos viver contentes. Um dia conversando com o Paulo Reis ele disse algo muito importante: Deus nos delega a quantidade de dinheiro necessária e que Ele sabe que poderemos administrar para Ele. Tudo é do Senhor, nós somos apenas gerentes de uma pequena parte para nos suprir.

Se buscamos além do que Deus quer nos dar (e muitas vezes exigimos!), pecamos por buscarmos dinheiro sem estar junto de Deus.

E não se engane, Deus pode querer que você passe necessidade – os planos Dele são perfeitos e Ele ainda assim cuidará de você. Paulo passou por isso e entendeu essa regra. Leia Filipenses 4.11 e veja que ele afirma que aprendeu a conviver com a fartura e passando necessidades.

Concluindo, olhe para esses pastores que buscam primeiro seu próprio reino na terra e diga: xô, prosperidade!

*Shaiala “Laila Flower” de Araújo é cristã, dotblogueira, dotCaster, e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Vive em Porto Alegre e aceitou colaborar com o blog.

Por Erica Klain

Tenho um amigo com o qual gosto de conversar em crentês:
Querida varoa, diz ele, como tens vivido neste dia que Deus tão tremendamente preparou pra ti? Amado irmão, respondo, tenho sido fortalecida a cada instante para a honra e a glória do nosso Senhor.
Confesso que damos muita risada juntos. Porém, quando brincamos assim, apenas falamos como muitos de nossos irmãos falam nas igrejas. No entanto, o mundo não partilha deste vocabulário.
 Philip Yancey no livro Alma Sobrevivente relata situações que eu comumente vivo. Permita-me citar-lhe:
“Um dia, eu e minha esposa acordamos cedo e viajamos 160 km para participar de uma reunião da turma do Seminário. Ali, ouvimos nossos colegas descreverem as três últimas décadas de suas vidas. Um deles disse que se libertou da artrite depois de dez anos, quando finalmente lidou com um pecado não confessado em sua vida. Outro exaltou as virtudes de dormir sobre imãs. Várias estavam sofrendo da síndrome de fadiga crônica, outros passavam por profunda depressão. Um casal havia internado recentemente sua filha adolescente em uma clínica para doentes mentais. Essas pessoas não tinham uma aparência saudável, e senti tristeza e compaixão enquanto ouvia suas histórias.
Paradoxalmente, meus colegas de classe ressuscitavam frases que aprendêramos no Seminário: ‘Deus está me dando a vitória’, ‘Posso todas as coisas em Cristo’, ‘Estou caminhando em triunfo’. Saí dessa reunião com a cabeça rodando…”

 Eu nem imagino qual seria a reação dos meus amigos não-cristãos, que costumam incluir pelo menos um palavrão por frase, ao me ouvir falar deste jeito. No mínimo, pensariam que sou depressiva e que minha religião é uma lavagem cerebral tão perigosa quanto o islamismo radical.
E eu lhes digo, queridos leitores, que eles não estariam errados. Muitas de nossas práticas cristãs apenas nos afastam do resto do mundo e nos deixam ainda mais presos numa bolha de costumes, exatamente como fariseus. Muitas vezes estamos tão segregados que nos tornamos irrelevantes para qualquer outra pessoa que não seja parte do nosso mundinho cristão.
Então resta a pergunta: de que vale um monte de sal dentro de um saleiro? Não deveria o sal estar espalhado na comida?

Pense nisso! E mude (Se necessário, claro!).

Erica Klain é membro da Igreja Batista MontSerrat  em Porto Alegre, estudou na Hillsong College-Austrália (diploma em Pastoral Leadership) e sempre que tiver um tempinho vai enriquecer o nosso blog!

 

Processo de purificação da prata

Processo de purificação da prata

 

Quando extraída do solo, a prata é um minério como outro qualquer, e precisa ser purificada. O processo de purificação da prata é delicado. O ourives a coloca num tacho, no centro do fogo, que é o local mais quente e onde as chamas são uniformes. Durante o processo, em momento algum o ourives pode afastar-se ou mesmo tirar os olhos da prata ao fogo.

Em estado líquido, ela pode ser destruída ou ter danificada suas principais características a qualquer descuido, ou temperatura inadequada. Aos poucos, o calor do fogo vai consumindo todas as impurezas contidas no metal, e assim, quando o ourives vê sua imagem refletida naquela porção, o processo está terminado.

Em diversas fases da nossa vida, nos vemos rodeados por situações que se assemelham a provas de fogo. Buscamos muitas respostas, e na maioria das vezes, tiramos conclusões precipitadas dessas situações. Nos esquecemos que nosso Pai que nos ama, nos prova, buscando livrar-nos de nossas impurezas, aperfeiçoando-nos até que Sua imagem reflita em nós. Como o ourives faz com a prata, Ele não se vira quando estamos no “fogo”, mas olha cuidadosamente pra que não sejamos submetidos à temperaturas que não suportemos.

Seja qual for a situação, Deus está no controle. Esteja certo disso!

Malaquias 3.1-4