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Por Erica Klain

Tenho um amigo com o qual gosto de conversar em crentês:
Querida varoa, diz ele, como tens vivido neste dia que Deus tão tremendamente preparou pra ti? Amado irmão, respondo, tenho sido fortalecida a cada instante para a honra e a glória do nosso Senhor.
Confesso que damos muita risada juntos. Porém, quando brincamos assim, apenas falamos como muitos de nossos irmãos falam nas igrejas. No entanto, o mundo não partilha deste vocabulário.
 Philip Yancey no livro Alma Sobrevivente relata situações que eu comumente vivo. Permita-me citar-lhe:
“Um dia, eu e minha esposa acordamos cedo e viajamos 160 km para participar de uma reunião da turma do Seminário. Ali, ouvimos nossos colegas descreverem as três últimas décadas de suas vidas. Um deles disse que se libertou da artrite depois de dez anos, quando finalmente lidou com um pecado não confessado em sua vida. Outro exaltou as virtudes de dormir sobre imãs. Várias estavam sofrendo da síndrome de fadiga crônica, outros passavam por profunda depressão. Um casal havia internado recentemente sua filha adolescente em uma clínica para doentes mentais. Essas pessoas não tinham uma aparência saudável, e senti tristeza e compaixão enquanto ouvia suas histórias.
Paradoxalmente, meus colegas de classe ressuscitavam frases que aprendêramos no Seminário: ‘Deus está me dando a vitória’, ‘Posso todas as coisas em Cristo’, ‘Estou caminhando em triunfo’. Saí dessa reunião com a cabeça rodando…”

 Eu nem imagino qual seria a reação dos meus amigos não-cristãos, que costumam incluir pelo menos um palavrão por frase, ao me ouvir falar deste jeito. No mínimo, pensariam que sou depressiva e que minha religião é uma lavagem cerebral tão perigosa quanto o islamismo radical.
E eu lhes digo, queridos leitores, que eles não estariam errados. Muitas de nossas práticas cristãs apenas nos afastam do resto do mundo e nos deixam ainda mais presos numa bolha de costumes, exatamente como fariseus. Muitas vezes estamos tão segregados que nos tornamos irrelevantes para qualquer outra pessoa que não seja parte do nosso mundinho cristão.
Então resta a pergunta: de que vale um monte de sal dentro de um saleiro? Não deveria o sal estar espalhado na comida?

Pense nisso! E mude (Se necessário, claro!).

Erica Klain é membro da Igreja Batista MontSerrat  em Porto Alegre, estudou na Hillsong College-Austrália (diploma em Pastoral Leadership) e sempre que tiver um tempinho vai enriquecer o nosso blog!