Xô, prosperidade!

Publicado: 02/05/2009 em Onde a Igreja vai parar?, Reflexões

Esse texto foi extraído do dotGospel blog, e traduz a preocupação que temos com a mutação teológica que acontece no meio cristão-protestante brasileiro. A distorção da mensagem que Jesus trouxe sobre prosperidade é alarmante. A postura da autora é interessantíssima, firme e direta, porém postá-lo aqui não significa exatamente que concorde cegamente com o texto. Enfim, vou deixar que o texto fale por si só… Boa leitura!

Por Laila Flower
Recentemente eu vi um vídeo do Pr. John Piper que falava sobre a prosperidade, ou melhor, falava CONTRA prosperidade. Ele destacou algo muito importante que eu quero frisar é a necessidade de SOFRERMOS. Leia de novo: SOFRERMOS.

É muito comum vermos por aí igrejas com um papinho furado de que “os filhos do Rei merecem o melhor”. Vi pregações de um pastor famoso chamando de hipócritas aqueles que dizem não ligar para dinheiro, prosperidade e, uma vez que se preocupa, tem de buscar de Deus.

Minha resposta para estas igrejas, pastores, pastoras ou quem quer mais buscar a prosperidade é simples: “Pois, que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou, o que o homem poderá dar em troca de sua alma?”. Para falar a verdade, a resposta não é minha, é de Jesus. Ele disse também, um pouco antes (Mt 16.24-26) que é necessário que as pessoas neguem-se a si mesmo e peguem sua própria cruz.

Se eu não estou enganada, não é muito fácil negar a si mesmo e ao mesmo tempo buscar a sua prosperidade. Um exemplo concreto é o do jovem rico, em Mateus 19.16 e versículos seguintes. Jesus não olhou o jovem rico e louvou a sua fé (afinal, ele era RICO!), ao contrário, mandou ele vender tudo – o dinheiro, a prosperidade, era exatamente aquilo que o afastava de Deus. E isso é visível, uma vez que ele preferiu não seguir a vender tudo.

E não podemos esquecer que o convite de Jesus não é “vou te seguir e te fazer prosperar”, é “DEIXE TUDO E SIGA-ME”! Em Mateus 4, a partir do versículo 18, vemos Jesus chamando os primeiros discípulos para segui-lo.

Nesse ponto o leitor já deve estar imaginando que eu sou daquele tipo que encara dinheiro do diabo, que quem tem mais do que o suficiente por dia é mundano….hm….não. Eu também trabalho, ganho dinheiro, batalho para ganhar um pouco mais e poder adquirir coisas novas. Mas esse não é meu foco. E também por isso não é o foco do meu relacionamento pessoal com Deus.

Dinheiro faz parte da vida das pessoas, mas não pode ser a vida das pessoas.  Ganhar pouco e ficar contente parece loucura para muitos. Talvez seja, mas certamente não é uma maneira de ficar obcecado pelo dinheiro a ponto de ver a vida passar pela janela e ficar trancado trabalhando para acumular.

E acho que o tal de acumular é que nos faz entender qual é o meio termo da coisa. Aliás, creio que o meio termo é o objetivo em tudo da vida cristã, exceto no amor à Deus (e suas consequências!). Por que se estamos tentando alcançar o máximo, nossa dedicação será maior e ofuscará a atenção para Deus – esse sim o objetivo máximo da nossa vida.

Poderemos buscar coisas que certamente não são pecaminosas (como dinheiro para pagar as contas no fim do mês, por exemplo), mas se a encararmos de forma a tornar um objetivo (dinheiro para ser rico – e o termo “rico” sendo variado não nos dá limite), isso se tornará um pecado porque estará tirando a posição de Deus nas nossas vidas.

Mateus 6.33 dá a receita da vida: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas”. Quando Jesus disse “essas”, ele quis apontar roupas e alimento, tema dos versículos anteriores – inclusive que ele diz que se atormentar por causa de comida e bebida é coisa que faziam os pagãos. E pensar que este mesmo versículo é desvirtuado para embasar teologia da prosperidade…

Mas, afinal de contas, como devemos viver?

Devemos viver contentes. Um dia conversando com o Paulo Reis ele disse algo muito importante: Deus nos delega a quantidade de dinheiro necessária e que Ele sabe que poderemos administrar para Ele. Tudo é do Senhor, nós somos apenas gerentes de uma pequena parte para nos suprir.

Se buscamos além do que Deus quer nos dar (e muitas vezes exigimos!), pecamos por buscarmos dinheiro sem estar junto de Deus.

E não se engane, Deus pode querer que você passe necessidade – os planos Dele são perfeitos e Ele ainda assim cuidará de você. Paulo passou por isso e entendeu essa regra. Leia Filipenses 4.11 e veja que ele afirma que aprendeu a conviver com a fartura e passando necessidades.

Concluindo, olhe para esses pastores que buscam primeiro seu próprio reino na terra e diga: xô, prosperidade!

*Shaiala “Laila Flower” de Araújo é cristã, dotblogueira, dotCaster, e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Vive em Porto Alegre e aceitou colaborar com o blog.

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