Por Doutor Antonio Carlos Sandoval Catta-Preta

Ver o São Paulo tão incolor, tão pálido, tão sem alma, tão sem raça, tão sem determinação, tão desfigurado como está, me amargura profundamente.

Sou um são-paulino exagerado e passional.
Quando o São Paulo perde por omissão os dias que se seguem são difíceis. Não engulo, rumino as derrotas, a semana se arruína. O São Paulo é como um termômetro na minha vida. Levanta e abaixa o meu astral.

Antes de mim, muitos choraram nos anos 30, houve glória nos anos 40. Os anos 50 foram de pouco brilho. Perdi muito nos anos 60, anos de pedra, anos de construção do Morumbi e de afirmação da nossa grandeza. O sacrifício valeu a pena. A partir dos anos 70 o São Paulo virou símbolo de força. Nos anos de minha infância ser são-paulino era algo fora de moda. A partir de 1970 ser são-paulino virou moda.

Acho que evocar nossos heróis em tempos revoltos renova a fé na crença de que jamais voltarão os dias de agrura, de afirmação e de humilhação.
Ontem conversei por telefone com um são-paulino histórico. Estive com o filho do gênio Benedito Ruy Barbosa e em dado momento ele ligou ao pai e passou-me o aparelho celular. Falávamos, claro, sobre o São Paulo.

Com o Benedito troquei idéias e voltamos um pouco no tempo. Em poucos minutos remontamos à época da criação do clube, escalei o primeiro São Paulo da história, falamos de Bauer a Paraná, de Raí a Hernanes. Foi tão bom que parece que na semana que vem falaremos ao vivo.

O Ruy não resiste a uma prosa são-paulina. Eu também não.
Quem sabe em razão dessa conversa, hoje já despertei com uma figura lendária assombrando a minha alma tricolor. Não farei suspense. Dizem que eu faço suspense ao escrever. Não faço. Eis o nome: Porfírio da Paz. PORFÍRIO DA PAZ, com letras maiúsculas.
Sabem quem foi Porfírio da Paz, meus iguais?

Espero que saibam. Para os que não sabem e para os que sabem e também para os que reverenciam esse personagem mitológico escreverei as próximas linhas. Serei breve. Você é meu convidado, amigo leitor. Venha comigo. Com calma, com tranqüilidade, com a fleuma e com a paciência de são-paulino.

O São Paulo da Floresta naufragara. Era o fim. Muitos comemoraram o naufrágio, na vida há muitas almas mesquinhas, que se divertem com as tragédias. Mas a cidade não podia ficar sem o São Paulo. O São Paulo ostentava o nome da cidade. São Paulo sem o São Paulo era inconcebível.

Inconformados com a extinção do clube os então poucos são-paulinos se revoltaram. O líder da insurreição chamava-se Porfírio da Paz. Não podia acabar assim aquele sonho.
Reuniram-se os irresignados, insuflados por Porfírio da Paz, no centro da capital, no escritório de um advogado, o dr. Silva Freire. Tudo se passou na Rua XI de Agosto, ali pertinho da sagrada Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Na noite do dia 16 de dezembro de 1935 tudo iria recomeçar. Aqueles homens vestindo ternos escuros estavam escrevendo a página decisiva da epopéia do “clube da fé”. Naquele sítio sagrado, quase no marco zero da futura grande metrópole, era recriado o São Paulo FC. São Paulo sem sede, São Paulo sem patrimônio, São Paulo sem glamour, São Paulo sem ostentação. No dia seguinte, instigados pela obsessão de Porfírio da Paz, o grupo saiu atrás de jogadores, era preciso montar um time. Aquela dúzia de pessoas era liderada pelo homem sobre o qual escrevo.

Porfírio era um são-paulino absolutamente apaixonado pelo sonho dourado de transformar o São Paulo em realidade. Porfírio admirava o Paulistano, era são-paulino da Floresta. Porfírio tinha uma são-paulinidade religiosa. Foi ele que viajou pelo país garimpando talentos. Porfírio trouxe King, o goleiro gigante, nosso primeiro “guarda-valas”. King foi descoberto por Porfírio da Paz no Paraná. King, invenção de Porfírio, foi um goleiro cujo nome sobreviveria pelas noites do tempo, foi um “guardião” que teria o nome consagrado pela história. Foi Porfírio que trouxe a grande maioria dos jogadores que, no mês seguinte, deveriam fazer o primeiro jogo da nossa história.
Estamos no dia 25 de janeiro. O ano? 1936.
Faz tempo, iguais?

Nosso primeiro presidente, Manoel do Carmo Meca, e seus pares, queriam ver o São Paulo estrear no dia do aniversário da cidade. Era questão de honra. Porfírio entregou-se de corpo e alma ao projeto, correu o Brasil e montou o time em tempo recorde.
Nesse dia 25 de janeiro de 1936, o São Paulo e seus bravos refundadores travariam sua primeira batalha, dentro do campo e, principalmente, fora dele.

Porfírio, ao mesmo tempo em que acertava com os atletas, fora a todas as emissoras de rádio, correra as redações dos jornais, a seu pedido a diretoria mandara confeccionar panfletos para distribuir nas ruas, haviam sido afixados cartazes nos postes e bares anunciando a estréia são-paulina para o dia 25 de janeiro, em jogo amistoso, contra a Portuguesa Santista, no Parque Antarctica, campo do Palmeiras. Mas, chegando ao estádio, os diretores se depararam com uma ordem de proibição, expedida pela então Secretaria da Educação do Estado. Um funcionário qualquer, um funcionário daqueles “Caxias”, estava intransigente e agia com arrogância em nome do prefeito: não havia autorização para a realização do espetáculo. Não tinha jogo e ponto final!

O público, reduzido, se mantinha nos portões de entrada do campo e não podia entrar, os diretores discutiam com o convicto representante da autoridade municipal, a estréia tão sonhada, depois de tanta luta, depois da ressureição, no dia do aniversário da cidade, parecia que estava arruinada.

Foi quando Porfírio da Paz declarou guerra: -“onde está o prefeito”? Indagou. E o funcionário respondeu: -“no desfile, na parada da Av. Paulista”. Porfírio voou para a Paulista. Desvencilhou-se da multidão, empurrou pessoas, foi empurrado, abriu caminho e chegou ao palanque das autoridades. Lá estavam, dentre outras personalidades, a figura do dr. Armando Salles de Oliveira, o então interventor do estado.

Porfírio ignorou o protocolo, pendurou-se ao palanque, foi direto ao interventor e pediu encarecidamente a ele que autorizasse a realização do jogo, afinal era o São Paulo que queria fazer seu primeiro jogo no dia do aniversário da cidade, era um acontecimento histórico!
O burburinho no local era grande, Porfírio teve que urrar para ser ouvido, entre hinos e discursos.

Mas Armando Salles de Oliveira era um paulistano da cepa, um quatrocentão. O Interventor não poderia deixar de ser simpático à idéia. Armando imediatamente chamou o Secretário da Educação, que também estava no palanque, e ordenou-lhe que liberasse o evento. Cantídio Campos, o secretário, era médico. Em seu próprio receituário, Cantídio escreveu as palavras que representavam o salvo-conduto para que o São Paulo estreasse.

Porfírio voltou, com o coração aos saltos, com os olhos marejados e como um raio ao estádio do parque Antarctica e esfregou o papel na fuça do funcionário chato. Os portões se abriram, o público entrou, o tricolor faria, quase que na marra, seu primeiro jogo, que terminou 3 x 2 em nosso favor. King, Ruy e Picareta, Ferreira, José e Segôa, Antoninho, Gabardo, Juca (Fogueira) Carrazo e Paulinho foram os primeiros heróis de nossa santa jornada. Eles vestiram, pela vez primeira, a sacrossanta camisa das três cores.

No dia seguinte o São Paulo foi inscrito na Liga Paulista e tudo começou. Daí em diante não era mais sonho.
Mas foi duro. Duro?
Foi um martírio!

Imagine, meu igual, um time que não era clube, imagine um time que não era clube e que não tinha torcida; e imagine um grupo apaixonado por um time que não tinha clube nem torcida e muito menos dinheiro para fazer frente aos já consagrados Corinthians, Palmeiras, Portuguesa e Santos. Os adversários, gargalhavam, duvidavam, desdenhavam. Éramos motivo de chacota.

Porfírio, o visionário, fazia listas de doação, elaborava “livros de ouro”, visitava autoridades, pedia recursos através da imprensa, convocava os são-paulinos para que comparecessem aos jogos, implorava auxílio. Antológica é a passagem histórica que nos revela um Porfírio eloqüente, um orador tomado de paixão, fazendo um verdadeiro discurso na falecida Rádio Cruzeiro do Sul em prol da sensibilidade do povo para que ajudasse o São Paulo. O São Paulo não podia morrer de novo. São Paulo não podia deixar o São Paulo morrer!

Ao sair do estúdio, já na rua, um lixeiro abordou Porfírio e deu-lhe todo o dinheiro que tinha no bolso. “- ouvi as suas palavras. Minha família ficará sem o necessário, mas não quero ver o São Paulo morrer”-, disse-lhe o pobre homem.

Porfírio da Paz enfrentou o pesadelo da penúria que aterrorizava o São Paulo nas décadas de 30 e 40. Foi Porfírio o nosso porta-voz, foi Porfírio o nosso anjo da guarda, foi ele o nosso baluarte, era de Porfírio que ecoavam os gritos que nos encorajavam a antever o futuro.
Acha que estou saudosista, meu igual?

Nesses tempos de um São Paulo tão medíocre, tão descompromissado com a nossa história de lutas será que não é para estar?
Ser são-paulino é ser muito mais do que podem imaginar os demais. Ser são-paulino é ter fé. Mas, muito mais do que ter fé, é ser guerreiro, o São Paulo não combina com a indiferença. Só nós ostentamos o nome da maior cidade e do maior estado da federação, só nós estreamos no dia em que se festeja o nascimento da terra dos bandeirantes.

Porfírio da Paz é um verdadeiro personagem de epopéia, é um nome inesquecível, por que será que, no Morumbi, não há uma placa, um busto, uma estátua de Porfírio?
Nosso saudoso herói esteve à frente de todas as lutas. Porfírio era militar. De cabo, chegou a general. Porfírio era do bem. Porfírio morreu pobre, encantado com o crescimento do clube que ajudou a fundar.

Em certa ocasião, depois de ter entregue ao São Paulo tudo que possuía, depois de angariar dos são-paulinos tudo que poderiam dar, depois de tantas batalhas, Porfírio recebeu em casa um Oficial de Justiça. O homem vinha notificá-lo de que perdera a casa onde morava, em razão da falta de pagamento do financiamento.
A família chorava na sala.

Porfírio os estimulou. Dinheiro ia e vinha. O São Paulo era para sempre.
Foi nesse dia que Porfírio, ao abandonar a casa perdida, ao lado de mulher e filhos e com os olhos marejados de lágrimas cantarolou: “- Salve o tricolor Paulista, amado clube brasileiro, tu és forte tu és grande, dentre os grandes é o primeiro”- Foi nesse dia que ele compôs o hino do São Paulo FC.

Querem mais, meus iguais?
Não. Não é preciso mais. Será que alguém poderia contar essa história aos nossos atuais dirigentes e jogadores?
Se alguém puder, que o faça.
Vibrações de fé a todos.
Saudações tricolores.

Antonio Carlos Sandoval Catta-Preta é advogado e são-paulino.
antoniocattapreta@yahoo.com.br
catta_preta on twitter

*Texto publicado no blog do Marcello Lima

 Não sei dizer de onde brotam as crises, muito menos sei identificar o endereço da fábrica de turbulências, mas deve ser um lugar largamente sombrio. Como transforma-se calmaria em caos?
 Sinto a pulsação quente e violenta do sangue que circula apressado nas veias, latejando minhas têmporas, despejando adrenalina e dúvida frente a mais um desafio.
 Vã expectativa a minha, achar que conseguirei driblar tal oponente. Porém o orgulho resiste até o exato momento anterior à derrota. Quando creio que não terei forças, busco na memória alguém que pode solucionar meus dilemas, e a única resposta à pergunta é o seu nome. Contrariando toda lógica de raciocínio, porém corroborando o princípio de fé, consigo tocar a tua mão, mais uma vez estendida pra me ajudar a vencer a queda.
 Sinto conseguir expressar isso com a devida intensidade apenas nesses momentos, apesar de dizer “Eu te amo” todos os dias. Porém, antes que o caos me vença, entrego a tardia gratidão por tudo que recebo de ti.
Pai, obrigado pelo teu amor incondicional, e é bom saber que nada que eu faça vai mudar isso. Afinal, na minha ilusão, deliro que sou racional e lógico, mas sempre descubro o quão limitados e confusos são os meus passos.

 

Por Ivyn Lima

Um sorriso sempre presente: é disso que precisamos…

 Há momentos em que buscamos tudo e esquecemos a singeleza de um pequeno, doce sorriso. Então, nos vemos sós, diante de muros, portas, janelas que nos impedem de ver o que até então nos era natural. Lembramos de momentos  felizes  mas, ao invés de nos ajudarem, só pioram a situação… Mostram como estamos, sozinhos naqulea escuridão. De repente surge uma luz por baixo da porta, outra através das janelas que nos rodeiam. Tentamos com todas as forças abrir tudo aquilo e conseguir enxergar de onde vem essas tais luzes…

 Aí vem a surpresa, as portas e janelas nunca estiveram trancadas, apenas estavam fechadas e a luz… Ah ela sempre esteve lá , o problema é que nos detivemos muito tempo olhando para a escuridão, olhando os vidros das janelas, que fechadas não nos deixavam ver o que havia lá fora.

 Como crianças em muitos momentos ficamos assim, esperando que alguém nos ajude, esperando alguém abrir a porta. E,no escuro nem ligamos para um raio de luz que atravessa as frestas… O que nos falta é ATITUDE!

* Ivyn Lima, paraense, é dotiana, blogueira e escritora promissora de reflexões. Mais uma irmã que a fronteira não impôs dificuldades e que aceitou colaborar com o blog.

 Qual o motivo da vida em sociedade ser tão complexa, sendo o homem um ser social?

 Me pergunto quanto a isso desde que comecei a ter uma certa noção sobre o significado de grupo. Desde a infância, levado por meus pais,  frequento a igreja. E há muito tempo não consigo compreender o motivo da complexidade dos relacionamentos dentro das igrejas, entre “irmãos”. Quanto mais intensos esses relacionamentos, mais propensos a causar hecatombes dentro da comunidade.

 Um fator importante é a recusa de cristãos frequentadores de igrejas a pensar. Algumas dessas pessoas tem preguiça de pensarem por si mesmas, e vão à igreja para que um líder as dite o que fazer, comer, vestir, comprar. E, como tudo tem dois lados (no mínimo), há líderes que se sentem à vontade fazendo isso. Logo, se surge alguém que se recusa entrar na fôrma, um pensador, esse já é acusado de tumulto. Como é inerente à vida em grupo, o interesse pela vida e costumes do “diferente” aumenta, desencadeando uma série de boatos, especulações, fantasias, lendas e outros inconvenientes.

 *Penso, logo existo. -René Descartes, filósofo

  Não tão incomum como deveria, um pensador no meio cristão é taxado de herege, desviado, rebelde. Enfrento esse tipo de conotação, volta e meia, embora falte muito para ser um formador de opinião. Já questionaram a mim e a amigos, o motivo de me relacionar com Deus da forma como faço, e também o por quê dos resultados. A Bíblia fala que os dons são distribuidos segundo a graça, diversificadamente (Romanos 12:6-8, Efésios 4:7). Questionam muitas vezes, se é justo que alguém que não se adequa cegamente ao que é dito num púlpito, merece receber algo de Deus. Enquanto fazem isso, esquecem-se de buscar o abençoador, e quando o procuram, fazem pedidos baseados em desejos suscitados pela inveja e cobiça, não por desejo sincero e ardente de conhece-lo mais a fundo.

 Eu sei que isso não mudará fácilmente, porém, a complexidade dos relacionamentos dentro das igrejas poderia ser menor, caso as palavras de sabedoria encontradas na Bíblia fossem buscadas mais a fundo, e levadas mais à sério, em sua essência.

 ”Um crê que de tudo pode comer, mas o débil come legumes; quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu… Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente”. -Romanos 14:2,3,5

 Nesses tempos de pós modernidade cristã, muito se fala em prosperidade, milagres instantâneos, etc., mas quase nunca se prega a volta de Cristo. “Mas, naqueles dias, após a referida tribulação, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então verão o Filho do Homem vir nas nuvens, com grande poder e glória.”  -Marcos 13:24-26. Alguns admitem não fazê-lo por ouvirem falar da volta de Cristo há tempos, e isso nunca ter acontecido. Vergonhoso.

 Pregar o “evangelho” que muitas igrejas tem pregado, é pregar um Cristo limitado, é pregar uma palavra de remendos, uma solução momentânea, sem perspectiva de futuro, o que vai frontalmente contra a mensagem de salvação. A verdade é imutável: Cristo veio para morrer por nós, garantir salvação através da expiação dos nossos pecados em sua morte na cruz, e arrebatar a Igreja no tempo certo.

 Tempo, essa é a palavra que assusta. Uma pergunta recorrente é: quando chegará esse tempo? “Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade.” -Atos 1:7. Porém, a Bíblia não nos deixa no escuro, existem algumas pistas. Na história da humanidade, Deus tentou de várias maneiras acabar com o pecado. Dentre as várias tentativas, o dilúvio. Vendo ser impossível ao homem alcançar a redenção por si mesmo, ofereceu a última e definitiva solução, seu filho. Desde então, desde a última chance oferecida à humanidade, começou a contagem regressiva para a volta de Cristo: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos tempos, nos falou Deus pelo Filho…” (Hebreus 1:1,2). Nos sermões sobre o tema (quando eram pregados), ouvia-se muito que “os últimos tempos” estavam começando, mas na verdade começaram há dois mil anos. O grande detalhe é que Deus não trabalha com o tempo na definição que usamos, chronos, e sim, com uma visão completa, como se fosse um quadro pronto, afinal ele é o Criador. Salmos 90:4 “Pois mil anos, aos Teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite.” No tempo de Deus, kairós, todas as coisas já aconteceram (daí sua onisciência), e no exato momento que o tempo humano coincidir com o tempo divino, a volta de Cristo acontecerá. Explicar isso pode parecer complicado, mas é muito menos complicado do que inventar desculpas ou fugir do tema, o que nossos líderes escolheram.

 Como consequência dessa omissão, muitos perderam a fé na volta de Cristo. E omissão nesse caso, vai desde não falar sobre o tema, até o fato de não preparar decentemente quem faz uso do púlpito para transmitir a mensagem, afinal, quem sabe ser eloquente com meia dúzia de frases feitas, pode, no contexto atual, liderar.

 As fraturas espostas da cristandade protestante denunciam a necessidade urgente de uma reforma. “Por esta razão, importa que nos apeguemos, com mais firmeza, às verdades ouvidas, para que delas jamais nos desviemos.” -Hebreus 2:1

Seguindo uma tendência muito conhecida no mundo cinematográfico, o Oficina G3 divulgou um teaser promovendo a gravação do novo DVD da banda, que será gravado no dia 25 de Julho, em Santa Bárbara D’Oeste, interior de São Paulo.
A banda promete um novo conceito de show, e com certeza, pode-se gerar uma certa expectativa, afinal o local de gravação soa inusitado: Usina de Santa Bárbara. Para quem assistiu o clipe Incondicional, ficou uma mostra do que vem por aí. O clipe foi gravado no mesmo espaço.
Confira o teaser:

Sabe aquela sensação de que as coisas estão numa corrente de mudança, para melhor, numa sequência quase inacreditável? Pois é: é com essa sensação que comento a queda da exigência do diploma de jornalista como quesito fundamental para o exercício da profissão. Passei alguns dias refletindo sobre isso, antes de escrever aqui, afinal, com essa decisão me torno um jornalista.
Um dos direitos garantidos pela Constituição é a liberdade de expressão. Exigir um diploma para ser jornalista (segundo o dicionário Houaiss jornalista é alguém que coleta, analisa e transmite informações de qualidade, através de jornal, revista, rádio, televisão, etc.) era cersear direitos e restringir vertentes de opinião, uma herança dos tempos da ditadura, assim como a também extinta Lei de Imprensa.
Agora, quem faz qualquer tipo de atividade ligada à comunicação, coleta, analisa, divulga, comenta pode ser um jornalista. O Supremo Tribunal de Justiça tomou uma decisão coerente, possibilitando assim, um maior cumprimento da tão descumprida Constituição.

Umas das coisas que mais atraem os fiéis de igrejas pentecostais é a revelação. Um dos dons do Espírito Santo (Romanos 12.6) é a profecia, e sempre que se pode, faz-se uso desse dom como se fosse um atrativo. Muitas vezes ouvi irmãos dizerem: Vou à campanha do “Pastor Fulano de Tal, o ‘homem é usado por Deus’”, fogo puro, sapatinho de fogo, canela de fogo, etc. de fogo… Vende-se um evento ou culto como se fosse um circo dos horrores, pois se não houver manifestações em línguas, profecias, curas, exorcismo não tem graça. Deixa de ser um culto “avivado” e passa a ser uma “frieza espiritual”.
Isso só acontece, por que em algum momento, descobriu-se que o sobrenatural exerce fascínio nas pessoas. A busca por respostas à dúvidas que a razão humana não consegue explicar, ou a superstição de que algo não está saindo como o esperado, sempre levam as pessoas a buscar naquilo que não conseguem entender, a resposta. Dentro desse cenário, começou-se a apelar para aquilo que toca mais fundo no emocional. Fiéis sendo atraídos pela fé de que através dessas manifestações poderiam alcançar soluções. Até aí nada demais, talvez apenas falta de ética por usar como propaganda dons que são distribuídos a todos, como o Espírito bem entende, de forma gratuita.
O que acontece a seguir é que é o problema. Como em tudo na vida, se existir um pequeno desvio de conduta, uma simples e pequena distorção no que era a proposta inicial, torna-se uma bola de neve, e as proporções são as mais inesperadas.
Disso, surgiram igrejas que prometem milagres como um fast-food promete comida: em cinco minutos você está curado, seja lá qual for o tamanho da sua fé, afinal “o Pastor Fulano de Tal é ‘homem de Deus’ e quando ele ora, o milagre acontece”. Hoje, além das igrejas tradicionais (não me referiro à postura em relação aos dons, e sim à doutrina e história das mesmas), poucas são as que seguem o modelo de igreja do século 21 (templos modernos, costumes adaptados à cultura de cada “tribo”, músicas mais atuais) e pregam a palavra como está na Bíblia. Tornou-se concorrência desleal, afinal, nas igrejas “fast-miracle” prega-se os milagres e bênçãos do abençoador, e não o abençoador. Em certos cultos, nem se ouve mais a essência do evangelho: Jesus morreu na cruz por nossos pecados, garantindo assim, salvação e vida eterna. Falar que Jesus voltará para arrebatar a sua Igreja, nem pensar! É um tema complicado de se explicar, e se não for oferecido um milagre, ou um momento de êxtase emocional/espiritual talvez alguns desses “clientes-fiéis” nem voltem na próxima reunião.
Cresci numa Assembléia de Deus, levado por meus pais, e não via esse tipo de coisa por lá. Acostumei-me com grandes sermões baseados na verdade bíblica, sem nenhum sensacionalismo, e ainda assim, via coisas que a Bíblia prevê (Marcos 16:15-18). Cresci, desenvolvi meu senso crítico, não me adaptava mais aos costumes assembleianos, e passei a frequentar uma Igreja Batista, onde me batizei e lá estou, até hoje. E nem por ser um batista, deixei de acreditar na manifestação do Espírito Santo. Porém, o que acontece hoje, não é manifestação divina, e sim charlatanismo. Pregadores que mais parecem palhaços, e que como tais protagonizam cenas que viram motivo de escárnio, alcançam o mundo através de vídeos colocados na web, afirmam que “Deus está entrando com providência naquela noite” seja qual for o problema. Usam o nome de Deus como o mais eficiente argumento de venda. Isso mesmo: venda.
É preciso que líderes pensantes, compromissados com o evangelho genuíno, comecem a questionar essas situações. Não há como vencer essa guerra que acontece entre nós, cedendo ao evangelho segundo o desejo do cliente. Mas, se todos nós, voltarmos à essência e lutarmos por pregar o evangelho que Cristo nos deixou, sem religiosidades, modismos, sensacionalismos, etc. cumpriremos a missão de ser um povo unido e instruído para a guerra para que fomos chamados.

“Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas, operando sinais e prodígios, para enganar, se possível, os próprios eleitos. Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito.” Marcos 13:22,23

Essa semana acontecem as provas da faculdade, por isso ando meio ausente.

Nas últimas semanas tenho priorizado a preparação para os testes.

Em breve, novas crônicas, críticas, resenhas, etc.

Enquanto isso, orem por mim e acessem o blog da doidinha da Ivyn .

Um grande abraço!

Aqui no blog, tento manter uma linha séria de raciocínio, com críticas construtivas, me mantendo longe de extremismos e estilos. Porém, tem horas que não dá!

 O vídeo que postei abaixo pode ser uma gozação, uma sátira ou até uma situação real. Caso seja uma imitação ou algo do gênero, condiz com a realidade encontrada em milhares de Igrejas Pentecostais sem estirpe espalhadas pelo Brasil.

 Quero deixar claro que não é uma crítica à pronúncia errada, afinal moramos num país onde o número de semi-alfabetizados é enorme, mas sim uma crítica à banalização da “arte” de  pregar, e à irresponsabilidade com que se abrem e fecham igrejas evangélicas no Brasil, possibilitando a pessoas sem o mínimo de preparo conduzir pseudo-igrejas. Enfim, essa é a realidade, infelizmente. O conhecimento demonstrado por esse cidadão que está “pregando” é , para ser elegante, desconexo (no português claro, não entende do que fala). 

Mas que é engraçado, é…