Há trinta anos, a igreja protestante brasileira não era nem 30% do que é hoje. Os evangélicos no Brasil eram uma minoria que se defendia apoiando a ditadura militar, e seguiram assim até a derrocada desse sistema. Com a redemocratização do país (que os evangélicos não apoiavam), uma abertura maior deu liberdade à evangelização e o que vem a seguir é o que sabemos: uma explosão de crescimento e um pseudo-avivamento elevaram o número de fiéis evangélicos de forma grandiosa. Hoje, somos *16% da população, contra 73% de católicos e 11% de religiões afro, ateus, agnósticos, etc.
Porém, esse “avivamento” faz lembrar outros que aconteceram durante a história. No berço do protestantismo, aconteceu o chamado Avivamento Wesleyano, que fez igrejas da Inglaterra lotarem e se multiplicarem. Ingleses são um povo reconhecido pela sua disciplina e respeito por tradições, mas mesmo assim, esse comportamento não foi páreo para o período pós-efervescência. Tempos depois, o que se vê na Inglaterra são igrejas vazias, mortas, com seus templos sendo vendidos para serem transformados em bares, danceterias, cinemas, etc.
O que aguarda o avivamento brasileiro? Quais são os próximos capítulos de uma história escrita por gente que não conhece o que prega, que manipula de forma anti ética milagres e curas em nome de Deus? Onde essa geração alienada vai chegar com cultos de temperatura emocional elevada, com o ópio no lugar de alimento, músicas de entretenimento e frases repetitivas? Platéias inteiras insandecidas repetindo gestos ditados por pregadores que mais parecem bobos da côrte?
É bom lembrar que o Apocalipse nos alerta sobre morte de igrejas. Até mesmo a irrepreensível Filadélfia, não passa de um registro histórico. Não se pode esconder-se na promessa de que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” (Mateus 16), afinal, o maior inimigo das igrejas está dentro delas mesmas. A kriptonita que corrói as bases da Igreja é a vaidade, essa “necessidade” de encher cada vez mais os templos, mesmo que isso custe a distorção do evangelho; quantidade a qualquer custo, como se pregassem a um rebanho de bois.
É hora de uma reforma. É hora de voltar a ensinar o verdadeiro evangelho, sem arremedos, de forma que não crie dependentes emocionais/espirituais, mas sim, soldados fortes dispostos a morrer pela causa de Cristo. Ah, desculpe, citei algo que soaria absurdo num sermão atualmente, pois não se prega mais sobre a volta de Cristo, a grande tribulação… Num culto dos nossos tempos, falar algo que não seja palavras de ordem garantindo prosperidade, cura e libertação é inconcebível. Pobres de nós. Teremos o mesmo destino de outros que nos precederam?
“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” Apocalipse 2:5
*Dados IBGE

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