“O artista pertence a seu tempo, vive de seus hábitos e de seus costumes, compartilha as suas concepções e representações.” -Hegel, filósofo alemão, formado pela Türbinger Stift (seminário da Igreja Protestante em Württenberg) falando sobre a influência da contemporâneidade nas artes.
Refletindo na filosofia de Hegel, e imaginando que dentro do Cristianismo os pensadores e formadores de opinião sejam verdadeiros artistas (afinal, pensar e se opor ao ditado religioso é um desafio gigante), me pergunto de que serão chamados daqui há algum tempo estes que hoje são tidos como hereges, desvirtuadores, lobos, etc.
Silenciosamente, surge no meio do Cristianismo um movimento paraeclesiástico, onde a idéia principal é praticar e viver os ensinamentos do evangelho sem um vínculo formal com uma igreja específica, mas sim, com a Igreja enquanto corpo.
Seria esse o ínicio de uma nova reforma? Tenho pensado a cada dia a respeito, e cada vez que assisto o que acontece com a igreja evangélica no Brasil, chego à conclusão de que vivemos um período de involução qualitativa, e que assim como na economia, o boom de crescimento evangélico no Brasil é uma bolha, representa uma farsa, e quando estourar a grande bolha (pois vivem estourando pequenas bolhas, pequenos escândalos) somente uma reforma será capaz de motivar os verdadeiros interessados em servir e iluminar.
Faço parte de uma corrente de oração via internet, silenciosa, interdenominacional e totalmente independente. Pessoas trocam e-mails, onde todos, pelo menos uma vez é sorteado como o alvo de oração de todos os demais por uma semana. Já orei e fui tema da oração de pessoas com as quais nunca tive contato físico, mas nutro por cada uma delas um intenso carinho e sentimento de irmandade. Este é um exemplo.
Existem outros exemplos, mais chamativos, escancarados, radicais nas palavras e atitudes. Certo? Errado? Não seria uma reforma se fossem estabelecidos conceitos prematuros, pois a reforma estaria fadada aos mesmos erros que hoje nos afligem. Erros virão e ocorrerão, afinal somos todos homens, suscetíveis a erros. A perfeição não será conhecida neste tempo. Porém
é uma iniciativa, um grito de pedras que necessitam expressar a contrariedade com o que tem acontecido.
Vivemos e refletimos nosso tempo. Expressamos as sensações e angústias de um século que protagonizará muito provavelmente a primeira grande reforma depois da Reforma Protestante. Os pensadores no nosso meio, gente tida como desviada dos propósitos, mas que na verdade é livre de dogmas, querem e estão compartilhando o que hoje é utopia, mas quando tornar-se realidade, mudará os conceitos com gestos, traduzindo em prática as palavras do evangelho.